Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Preocupações sobre privacidade no Firefox 

Isto vai ser um pouco técnico.

Quando você clica em um link de resultado de pesquisa no Google, talvez você não note, mas seu browser vai até o Google, onde um servidor o dirá onde encontrar o conteúdo que procura e então você entrará em contato direto com o servidor de destino. Este mecanismo é chamado redirecionamento e é usado porque o Google quer saber qual dos resultados foi o melhor para seu critério de pesquisa. Assim, da próxima vez que alguém pesquisa pela mesma informação, a página clicada será mostrada em uma posição mais alta, dado que é mais provável que ela seja também o resultado que a outra pessoa esteja procurando. Este processo de coleta de dados é feito em todas as pesquisas no Google. Na verdade, é também feito pelo Yahoo, MSN, Vivissimo e, bem provável, todo mecanismo de pesquisa disponível e a maioria dos sites de mídia. Se isto é uma violação de privacidade ou não, se o usuário deveria ser notificado ou não são assuntos sujeitos às preocupações e conhecimento de cada um.

O fato é que visto que este processo adiciona uma ida-e-volta entre o browser e o servidor, a redireção é uma maneira ineficiente de rastrear o caminho de links de um visitante.

A WhatWG (Web Hypertext Applications Technology Working Group) projetou um mecanismo para evitar isto baseado em uma nova tag (chamada ping) que o operador do website pode adicionar a certos links. Quando o usuário clica nestes links, ele será direcionado para o site de destino e ao mesmo tempo o browser vai contactar o site de origem para informá-lo sobre o que você clicou. O usuário não terá que esperar pela ida-e-volta para chegar ao website desejado.

Na última terça-feira, o desenvolvedor Mozilla Darin Fisher anunciou que este recurso foi adicionado às versões de desenvolvimento do Firefox, levantando dúvidas na mídia sobre o compromisso Mozilla com uma experiência web melhor, mais segura e privada.

Antes, é preciso delimitar o escopo deste recurso. Como já foi explicado, a tag ping não permitirá que nada seja feito que já não esteja sendo feito hoje. Ela permitirá que o processo seja feito de uma maneira mais eficiente do ponto de vista tanto do usuário quando do operador do website. É uma mudança no Gecko, o motor de renderização do Firefox, portanto ele afeta, além do Firefox, o Thunderbird (embora esteja desabilitado aqui por padrão), Camino, SeaMonkey e outras aplicações. Está limitado ao browser: não pode ser usado para instalar spyware, vírus ou adware no PC de um usuário. Embora ainda não implementada, haverá uma preferência para desabilitar o recurso à vontade do usuário. Também já há discusões sobre notificações para o usuário de que um link irá causar um ping, limitar o número de sites que podem receber o ping e restrição do ping somente para o site original.

Este recurso causou desconfiança desde o começo, mas seus benefícios potenciais como alternativa a redirecionamentos e outras técnicas ineficientes deve fazer a confusão valer a pena para os desenvolvedores Mozilla.

Pessoalmente, o histórico do Mozilla sugere que a confiança do usuário e a privacidade são prioridades e este recurso tentará aprimorar a experiência do usuário enquanto não cria riscos de violação de privacidade.

Para saber mais sobre ambos os lados da discussão, dê uma olhada no slashdot.org, mozillaZine e no post de Darin em seu blog.


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